Olá, seres.
Aos trancos e barrancos o Produto do Meio tem sobrevivido e existido e tem sido prova fiel de um bordão meu "O ócio é o ópio".
Sim, o ócio é o ópio... Pois todas as minhas palavras ficam gravadas na minha mente, ou anotadas em algum bloco. Elas ficam por todo lugar, menos por aqui. Parece que toda essa tecnologia e mecanização desativa qualquer manifestação criativa, então passo horas a fio a pensar e pensar no próximo tema da próxima postagem para os possíveis leitores, isso sem contar com aquelas regras padronizadas para a estrutura de uma excelente redação e outros reflexos pós-vestibular que me travam, afinal, sempre fui adepta do fluxo de consciência, e depois de um ano inteiro tendo de escrever de uma maneira totalmente estruturada, a minha consciência ficou um tanto pré-programada, infelizmente. E o fluxo de outrora já não flui com tanta facilidade, embora as palavras e ideias estejam percorrendo todos os cantos da minha mente... E por que não passar a tarde lendo, ou assistindo um filme e se qualquer pensamento me vier, anotá-lo, ao invés de ficar aqui sentada nessa cadeira, dentro de casa, neste calor infernal carioca, espremendo até a última gota do bagaço da laranja? Porque eu necessito dessa laranja, porque essa laranja é parte do que sou e porque me recuso a me desfazer das coisas só porque estão fluindo menos - ou nada -.
Acima de tudo, porque há coisas a serem ditas - mesmo que ninguém irá escutá-las ou lê-las -, há milhares de coisas a serem ditas, mas que são abafadas pelo correr apressado do ritmo da civilização. Ninguém pára para viver de fato, só se respira e existe, e eu me recuso a só respirar e existir, recuso-me a ter esse ritmo incorporado em mim contra minha vontade.
Apesar do calor que tem feito, tem se feito belíssimas noites e aposto que muitas pessoas não repararam nisso, seja porque estavam vendo a suas santas novelinhas ou assistindo mais um episódio imperdível do BBB12, seja por qualquer outra banalidade. Aposto que muitas não se deram ao trabalho de olhar para o alto e contemplar a lua e estrelas, de sentir a brisa desse final de verão.
É por isso que não somente eu, mas todos aqueles que sentem e vivem, devem continuar a falar, a mostrar, e não podemos nunca deixar que nosso ópio seja o ócio. O nosso ópio deve ser a imaginação e todo um prisma de cores, deve ser conseguir ver a realidade como ela é, cheia de dualidades de bem e mal.
Esse é o meu ópio, o meu vício, viver. E sobreviver.
Espero estar mais presente, até outro post.