terça-feira, outubro 22, 2013

Esponja

Eu sou uma esponja. Sou uma esponja porque absorvo tudo a minha volta, todas as tensões, as paixões e os estresses. Tudo que é alheio a mim mescla-se com o meu próprio ser, e fico perdida nesse baile de máscaras, sem saber sob qual se encontra a minha verdadeira face. 
Ser uma esponja nem sempre é bom, mas nem sempre é ruim. É uma sintonia, e quanto mais tenho consciência disso, mas fácil é reger o ritmo da música nesse baile. Foi-se a época do medo e desespero da máscara da morte escarlate. Hoje pego cada sensação e reciclo, me inspiro, e respiro. Às vezes dói. Toda vez é necessário. Carregando num dos lados do lobo frontal (o qual, especificamente, me foge à memória agora) não só o existencialismo de mim mesma, mas de qualquer um que entre em contato comigo - ou nem isso necessariamente -, por fim, carrego quase de tudo dessa vida. 
Ser uma esponja é viver de cara e coroa, é estar bêbado e ser equilibrista. 
Bailarina sobre um fio de nilon - no alto do picadeiro. Esponja.
Tem dia que acordo cansada, não quero saber desse mundo, dessa vida, dessa gente. Mas no fim, eu não resisto, é quase que um vício incontrolável de saber daqueles que estão ali sendo e vivendo. Então meu espírito se expande, e, sendo esponja, absorve. 
O ruim de ser esponja é a tristeza das mazelas, mas eu me curo, aprendi isso. Me curo com o prazer, quase que orgasmático, de um breve e simples detalhe da existência, das cores do dia, da risada gostosa e sincera. E nisso não me limito a mim mesma.
Eu sou uma esponja. Eu me sinto, e eu te sinto. Obrigada.

terça-feira, outubro 08, 2013

Só risos

Um sorriso
que revive outros sorrisos
descompromissados
de tardes de trezentos
e sessenta e
cinco dias atrás.

Tudo é novo,
jovem.
Tudo ri,
sorri.
Todos os dentes amareladamente sinceros à mostra.

Gostoso é ainda não ter
nem
vinte anos.
Onipotência juvenil:
uma tarde num banquinho no Centro,
e risos. Sorrisos
Só risos.

quinta-feira, outubro 03, 2013

It's all in your head

Medos não tão bobos, não tão tolos
cujas bocarras estridentes
são navalhas pontiagudas
                                               — que ruminam o seu
                                                                                  miocárdio.


Labirintos distorcidos, intermináveis.
Cem minotauros,
sem novelo de lã
                               — ecoam gritos ocos que engasgam a
                                                                                            alma.


Mordaças na cama com 
spleen injetável, inegável
entorpecentes
                          — que não são 
                                                  reais.


Abra os olhos ferozmente
                                              — está tudo na sua
                                                                             cabeça.