sábado, março 22, 2014

Pra não dizer que não falei dos vinte

Eu já estava acostumada com a sonoridade do "dezenove" quando trezentos e sessenta e cinco dias se passaram, sem dó, nem piedade, lenço ou documento, tirando-me por fim da casa do "dez", roubando da ponta da minha língua o prefixo e me jogando porta a dentro dos vinte. 

(A verdade é que se você espera muito, você nunca estará pronto, sabe-se lá o porquê.)

Eu pensei em falar das experiências de cima de um pedestal de presunçosa maturidade, mas lembrei dos medos e dos choros bobos, então resolvi ficar quieta.

(A outra verdade é que você nunca chega no "suficiente" quando percebe que o universo é infinito e você está contido nele, assim como ele em você.)

Quando tinha trezes anos, eu costumava mentir a idade dizendo que tinha quatorze porque - por alguma razão que só existia na minha mente - com quatorze anos a pessoa era mais respeitável. Depois eu aprendi que não adianta ser um exímio contador de piadas, às vezes você mesmo acaba sendo uma. Hoje digo que tenho vinte e tem gente que não acredita, assim como tem gente que não acredita que o meu nome é o meu nome. É apelido, ou é piada?
Todos riem. Eu rio. É polaco.
Ontem, depois de tantos elogios nessa vida, decidi começar a vender os meus conselhos, com o dinheiro irei pagar uma psicóloga. Vou me ouvir monologar, vou achar que ela não sabe de nada se não ligar muito para Jung. Veja bem, essa minha lua em peixes é um prato cheio!
(esse trânsito está congestionado, e minhas palavras também)
Pra não dizer que não falei dos vinte, volto a repetir: ser esponja é foda pra caralho, tanto no bom quanto no mau sentido, nada além disso. Mas no caminho contra o vento, aprendizado.