sábado, agosto 16, 2014

Casulo

Amarras gosmentamente repulsivas envolvem o pequeno longo corpo de fibras frágeis e asas de seda que se ligam por nervos pálidos ao que seria um ombro caduco e fraco.
O bichinho mal respira mau respiro. 
Na garganta, um verme com micro-espinhos que não vai nem volta, mas que fica parado no eterno lugar, atiçando.
Da boca só escorre sangue babado.
O braço é curto, e dos dedos as unhas caem em migalhas. O sabugo de carne rosada fica ardendo exposto.
Pobre vidinha de dar dó que força, sem unhas, um casulo de vidro. Que vive na escuridão do sulco vazio dos glóbulos oculares.
Chora o bichinho de raiva e de dor pois não sabe se é borboleta ou aberração, não sabe... 
O sal das lágrimas mirradas queima sua pelezinha que mais parece papel velho molhado.
E num suspiro insignificante, e mal suspirado, a melancolia se alastra como uma névoa venenosa, fadando aquela vidinha tão miserável à negação da existência plena fora de todo o sadismo de um casulo já podre.

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