Adeus, Tadzio.
Obrigada pelos entardeceres.
Minhas letras tremiam pelo papel, meus olhos em brasas, o ar como um bloco úmido e tenso. Adeus, Tadzio. Você se levanta, passa por mim, sou um fantasma, um espírito à espreita. Respiro o ar endurecido, puxu-o com a força de mil pulmões, com todo o medo de um estômago acidificado. Ponho outro rosto, escolho, em frações de segundos, de quem irei me vestir: a loucura juvenil, sim. A jovem louca (e fada).
Toco a criatura, quimera é palpável. Ouso tocar (que tolice minha, eu que te pari!). Nega-me os olhos, mas não me nega por inteira. Aqui. Tome. Um pedaço da minha própria beleza, para você.
Sóbria desci por escadarias infinitas como bêbada.
Não fugi de ti, Tadzio. Fui bailar com minh'alma pelas noites. Te dei adeus e fui bailar a valsa mais linda que poderia haver, a valsa dos enfeitiçados, dos anjos que vagam desafiando os terrores.
Sua beleza, sua ideia, viverão para sempre, mas eu preciso morrer (e renascer) de tempos em tempos. Você pertence à eternidade que humano algum conhecerá. Eu pertenço ao tudo, ao nada, ao tudo, ao nada, ao rodopio espiralante.
Adeus, Tadzio.
Obrigada pelos entardeceres.