Viagens esquizóides. Assentos solitários de
desvairios. Gárgula. Empoleirada num canto esquecido. Passam rostos,
passam corpos. Eu, amor e raiva. Passa Tadzio, onde me deleito insana no
tédio das quintas-feiras vazias. Registro de belezas que se esqueceram,
registros para que no papel, e no futuro de mim, elas se perpetuem.
A estranheza é a forma de estar no mundo mais suportável. Ver com
olhos... com olhos caleidoscopicais.
Hoje, solidão. Não. Hoje, eu. E os devaneios, e os fantasmas que nunca
foram, nunca viveram. E muita informação, vozes que se dissipam e se
manifestam longe de mim. Passos, passos, vidas, palpitações como quando
eu brincava de esconde-esconde. O medo também de nunca me encontrarem e
esquecerem de mim, um eco perdido. Outro medo: cabra-cega. Eu, de olhos
vendados, todos foram embora, só os risos. Que lembrança infeliz. Corri,
cheia de vergonha e raiva. Crianças pode ser socializadas com muita
crueldade.
Me perdi. O corredor está tão vazio. Os olhos se perdem, e crio a
suspensão temporal. Toca Mahler. Para Sempre. Palmas! Palmas!
Pierrot e Arlequim nasceram com as almas e os corpos trocados, a lua
assiste e ri da desgraça.
Te fazer poesia. Poesiar o delírio, a ilusão. Recriar fotografias
mentais. Transferir para outra matéria, para outro domínio. Te fazer
poesia. Amores imaginários e sorrisos bobos de canto de rosto, um
segredo, um cumprimento, reconhecimento.
A criação de personagens, a impersonificação de personagens, de vitrais
esplendorosos que falam de uma crônica que não foi possível dentro da
realidade da vida, mas cuja existência é garantida através do plano das
ideias. Degusto-te. As lembranças estão aqui, na minha boca, pousadas e
dissolvidas em minha língua tal como uma hóstia-ácido.
Meu ponto.