sábado, junho 28, 2014

Caneta

A caneta se não trava, se atropela, perdida, nem sabe por onde começar. Nem há um começo, não se pode medir um fluxo, não se pode pontuar suas coordenadas e referências em mapas cartográficos, em GPS tecnológicos. 
A caneta nem sabe o que falar, só sabe da necessidade do ato de estar em movimento, esboçando um inconsciente escondido pelas cortinas de cílios alongados e pintados de preto.
A caneta não sabe de nada, é tola em suas ambições. Se pára, pára como uma bateria em seus últimos momentos, cujas tentativas supersticiosas de reanimação são frustradas. 
A caneta é balsâmico, porém. 
É ópio, é o exorcismo do ócio.
A caneta é a máquina de teletransporte que desintegra o corpo e suas ínfimas partículas atômicas. 
A caneta é arma branca, azul, vermelha, preta, roxa, ou qualquer outra cor.
Você pára e percebe que a caneta é tudo e nada, tudo ou nada.
É plástico e tinta. 

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