sábado, junho 28, 2014

Caneta

A caneta se não trava, se atropela, perdida, nem sabe por onde começar. Nem há um começo, não se pode medir um fluxo, não se pode pontuar suas coordenadas e referências em mapas cartográficos, em GPS tecnológicos. 
A caneta nem sabe o que falar, só sabe da necessidade do ato de estar em movimento, esboçando um inconsciente escondido pelas cortinas de cílios alongados e pintados de preto.
A caneta não sabe de nada, é tola em suas ambições. Se pára, pára como uma bateria em seus últimos momentos, cujas tentativas supersticiosas de reanimação são frustradas. 
A caneta é balsâmico, porém. 
É ópio, é o exorcismo do ócio.
A caneta é a máquina de teletransporte que desintegra o corpo e suas ínfimas partículas atômicas. 
A caneta é arma branca, azul, vermelha, preta, roxa, ou qualquer outra cor.
Você pára e percebe que a caneta é tudo e nada, tudo ou nada.
É plástico e tinta. 

quarta-feira, junho 04, 2014

A presunção da ideia sobre o amor

O amor era uma coisinha estranha dentro do peito e de essência contraditória. Em contato com o miocárdio, apertava-o até doer para depois soltá-lo com toda a delicadeza do mundo. Descontrolava a respiração e revirava o estômago cheio de suco gástrico a qualquer momento que lhe desse na telha. Elevava ao Infinito a pobre alma sorridente. E quando ele tristemente morria, quietinho em sua significância, quase como se não tivesse existido, um tempo depois renascia, voltando a deixar os poetas sem palavras. 

O amor faz piada dos tolos que fingem não vê-lo e que trancam-se em quartos eternamente cinzas. 
O amor despurifica as donzelas e humaniza as putas. 
O amor é vida, e com ela só aguentam os corajosos.